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O que ninguém vê também precisa ser limpo: a importância dos equipamentos com rodízios na cozinha profissional

  • Foto do escritor: chefclauarruda
    chefclauarruda
  • há 5 horas
  • 4 min de leitura

Em uma cozinha profissional, limpo não é apenas aquilo que os olhos conseguem enxergar.


Durante minhas consultorias, uma das coisas que sempre observo é o que existe embaixo, atrás e ao redor dos equipamentos.


Freezers, refrigeradores, bancadas, armários e equipamentos pesados podem permanecer meses no mesmo lugar. Enquanto a parte visível recebe limpeza diariamente, o que está embaixo pode contar uma história completamente diferente.


Um pedaço de alimento cai.


Um líquido escorre.


Um pouco de gordura passa por uma fresta.


Alguma preparação derrama e ninguém percebe.


Com o passar dos dias, aquilo que parecia insignificante pode se transformar em matéria orgânica acumulada, mau odor e um ponto extremamente difícil de higienizar.


E existe uma regra que gosto de utilizar:


Cozinha limpa não é somente aquela que parece limpa. É aquela em que conseguimos limpar também onde normalmente ninguém vê.


O cheiro conta uma história


Ao entrar em uma cozinha profissional, nosso olfato já começa a fazer uma espécie de inspeção.


É natural sentir cheiro de pão assando, carne sendo preparada, café, temperos ou da comida que está sendo produzida.


O que não deveria ser considerado normal é um odor desagradável persistente.


Quando uma equipe permanece diariamente no mesmo ambiente, pode acontecer uma adaptação ao cheiro. Aos poucos, aquilo deixa de chamar atenção.


Por isso, um odor diferente nunca deveria simplesmente ser mascarado ou ignorado.


Precisamos procurar sua origem.


Pode existir alimento que caiu atrás de um equipamento, líquido acumulado, gordura, resíduos dentro ou embaixo de equipamentos, problemas em ralos, falhas na rotina de higienização ou outras situações que precisam ser investigadas.


Não devemos aprender a conviver com o mau cheiro. Devemos descobrir por que ele existe.


Sujidade escondida não é apenas um problema estético


Quando resíduos permanecem acumulados em locais de difícil acesso, não estamos falando somente de aparência.


Estamos falando de um ambiente que pode favorecer odores desagradáveis, atração e abrigo de pragas, proliferação microbiana em condições favoráveis, contaminação indireta do ambiente e dificuldade para manter um programa eficiente de higienização e controle de pragas.


E existe ainda outro problema: aquilo que não conseguimos acessar dificilmente entra na rotina diária de limpeza.


A equipe limpa o que consegue alcançar.


Por isso, quando projeto ou avalio um fluxo de cozinha, não penso apenas:


“Onde este equipamento cabe?”


Também penso:


“Como alguém vai limpar embaixo e atrás dele?”


Por que recomendo equipamentos com rodízios?


Sempre que a instalação, o fabricante e as condições de segurança permitirem, considero extremamente interessante que equipamentos que necessitam movimentação para limpeza possuam rodízios apropriados.


Isso pode incluir freezers, determinados refrigeradores, bancadas móveis, armários e outros equipamentos compatíveis com esse tipo de instalação.


Com rodízios corretamente dimensionados, a equipe consegue movimentar o equipamento de maneira muito mais segura para executar uma limpeza programada da área.


Arrasta-se adequadamente o equipamento, higieniza-se o piso, verifica-se a parede, inspecionam-se possíveis resíduos e depois o equipamento retorna à posição correta.


Isso transforma uma tarefa difícil em um procedimento possível.


Mas atenção: não significa simplesmente colocar qualquer rodinha em qualquer equipamento.


Os rodízios precisam ser compatíveis com o peso, resistentes ao ambiente da cozinha e possuir travamento quando necessário. Também precisam respeitar as orientações do fabricante e as instalações elétricas, hidráulicas, de gás, drenagem e demais conexões existentes.


Equipamentos que precisam permanecer fixos devem ser instalados de maneira que sua configuração permita higienização adequada conforme os requisitos técnicos aplicáveis.


Rodízios também ajudam na manutenção preventiva


Existe outro benefício que muitas vezes passa despercebido.


Quando conseguimos acessar periodicamente a parte inferior e traseira de um equipamento, também conseguimos perceber mais cedo situações como vazamentos, acúmulos anormais, cabos ou conexões aparentando problemas, presença de pragas e outras alterações.


Ou seja: acessibilidade para limpeza também melhora nossa capacidade de observar o equipamento.


Carrinhos de higienização: menos caminhada, mais limpeza


Outra recomendação que faço nas cozinhas é a utilização de carrinhos de higienização com rodízios.


Imagine um funcionário responsável pela limpeza tendo que atravessar a cozinha várias vezes porque esqueceu um produto, depois voltar para buscar outro utensílio, depois outro material.


Existe desperdício de movimento e de tempo.


Um carrinho permite organizar previamente os materiais necessários para aquela rotina e levá-los até o local onde o trabalho será realizado.


Isso pode tornar o processo mais rápido, organizado e padronizado.


Naturalmente, produtos químicos precisam estar corretamente identificados, acondicionados e mantidos de forma segura e separada dos alimentos e dos utensílios destinados à produção, seguindo os procedimentos da operação.


Não basta mandar limpar. Precisamos criar condições para limpar.


Essa talvez seja a reflexão mais importante.


É muito fácil olhar para uma equipe e dizer:


“Vocês precisam limpar melhor.”


Mas antes precisamos perguntar:


O equipamento pode ser movimentado?


Existe acesso embaixo dele?


A equipe possui os utensílios necessários?


Existe um carrinho para transportar os materiais?


Existe procedimento?


Existe frequência definida?


Existe responsável?


Existe conferência?


Porque gestão não é simplesmente cobrar resultado.


Gestão também é fornecer estrutura para que o resultado possa acontecer.


Transforme a limpeza escondida em procedimento


Uma boa rotina pode prever limpezas em diferentes frequências.


Aquilo que precisa ser higienizado durante e após cada produção entra na rotina diária.


Áreas de acesso mais complexo podem receber uma programação específica, respeitando o risco e a necessidade de cada local.


O importante é que exista uma rotina documentada.


Equipamento por equipamento.


Área por área.


Responsável por responsável.


E depois precisamos verificar se aquilo realmente está acontecendo.


A cozinha fala antes mesmo de servir o primeiro prato


Uma cozinha profissional transmite muita informação.


Ela fala pela organização.


Fala pelo comportamento da equipe.


Fala pela conservação dos equipamentos.


E também fala pelo cheiro.


Quando entramos em uma cozinha e encontramos um ambiente organizado, higienizado e sem odores anormais, existe uma mensagem silenciosa de controle.


Por isso, durante uma consultoria, eu não observo somente a comida que está saindo.


Eu olho atrás do freezer.


Olho embaixo do equipamento.


Observo os cantos.


Percebo os odores.


Porque qualidade não começa quando o alimento chega ao prato.


Qualidade começa no ambiente em que esse alimento é produzido.


E fica minha recomendação:


Se queremos uma cozinha permanentemente limpa, precisamos facilitar o trabalho de quem limpa.


Às vezes, uma mudança aparentemente pequena — como melhorar o acesso aos equipamentos ou implantar carrinhos de higienização — pode fazer uma grande diferença na rotina.


Porque, dentro de uma cozinha profissional, o que ninguém vê também precisa fazer parte do nosso padrão.


Chef Clau Arruda

Chef Consultor

 
 
 

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